A Radiologia na Visão do Profissional de TI

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A Radiologia na Visão do Profissional de TI

*Por José Eduardo Venson

 

Radiologia é especialidade médica mais digital, graças a informatização dos seus processos e a difusão de protocolos que estabelecem a comunicação entre diferentes dispositivos, sistemas e empresas, tal como o protocolo DICOM tão conhecido entre os profissionais que atuam na área.

 

Com esta padronização, surgiu um nicho de mercado para sistemas PACS (Picture Archiving and Communication System) e RIS (Radiology Information System), que são responsáveis pelo fluxo desde da chegada do paciente ao centro diagnóstico, passando pela aquisição de imagens, até chegar ao médico radiologista que utiliza uma estação diagnóstica para interpretação do exame.

 

Com os avanços da tecnologia, o diagnóstico por imagens se mantém em constante evolução e tais mudanças nunca tiveram tanta repercussão sobre o trabalho dos profissionais de saúde como agora.

 

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Nosso desafio enquanto pesquisadores/profissionais de computação que atuam nesta área é propor abordagens que facilitem o trabalho médico, instigue a colaboração e, por fim, como objetivo mais audacioso, melhore os cuidados à saúde das pessoas. 

 

Os cursos relacionados a TI como Ciência da Computação, Engenharia da Computação e Sistemas de Informações formam profissionais especializados em matemática, computação gráfica, processamento de imagens, inteligência artificial, segurança, programação entre outros.

 

Tais conhecimentos têm aplicação direta na saúde em geral e na radiologia, como as novas técnicas de Machine Learning que dia após dia são mais frequentes em nosso meio e também questões relacionadas à segurança, onde já é comum a divulgação notícias em que clínicas/hospitais são invadidas e tem seus dados sequestrados.

 

Desafios

 

No entanto, durante a formação em computação os alunos não têm contato com o curso de medicina e não são preparados para aplicar seus conhecimentos na saúde. A pouca interação entre os cursos acarreta na falta de informação, fazendo com que vários profissionais qualificados escolham outras áreas. Este afastamento, por sua vez, pode ser considerado a origem dos problemas na TI aplicada à saúde, apresentados a seguir.

 

O primeiro deles é relacionado à pesquisa, pois os poucos estudantes de computação que participam de projetos voltados à saúde se deparam com uma série de desafios que vão desde a falta de conhecimentos médicos (por exemplo: classificação de imagens, entendimento de patologias) até questões de privacidade de dados, regulamentação e ética. Na computação, não é costume submeter trabalhos para comitês de ética e quando necessário trata-se de um processo longo pela fala de experiência.

 

A intersecção entre as duas áreas resultaria em projetos ainda mais relevantes e beneficiaria ambas as disciplinas. Na computação, trabalhos são desenvolvidos nos centros de pesquisa e têm destaque pela contribuição em tópicos como: simuladores de cirurgia, recuperação de pacientes usando jogos sérios e realidade virtual ou segmentação/processamento de imagens. Por outro lado, é possível que iniciativas semelhantes ocorram também na medicina, onde alunos pesquisem de forma isolada temas com tecnologia.

 

Perfil do profissional de TI na Radiologia

 

Para entender melhor o perfil dos profissionais de TI que atuam na radiologia, aplicamos uma pesquisa a respeito das oportunidades e desafios da área. Participaram da pesquisa técnicos em informática/suporte, administradores de PACS, gerentes de projetos e desenvolvedores (Resultado completo da pesquisa).

 

Boa parte dos usuários escolheram atuar neste nicho de mercado devido a uma oportunidade, com o objetivo comum de poder ajudar as pessoas mesmo que de forma indireta e também de crescimento profissional devido a baixa procura de profissionais de computação.

 

Dentre os desafios, um dos que mais se destaca é relacionamento com o médico radiologista que muitas vezes é complicado, principalmente pela equipe de suporte que tem contato diário com o usuário. Muitos radiologistas ainda possuem dificuldades em lidar com as novidades tecnológicas e sistemas complexos de diagnóstico por imagem, além de não entender ao certo qual o papel da TI no seu fluxo de trabalho. Sendo assim, os radiologistas, bem como a equipe de TI, precisam se manter em constante atualização para acompanhar as mudanças da área.

 

Além dos desafios citados, seguem abaixo as principais dificuldades que os times de TI apontaram na pesquisa:

 

“Complexidade das operações e variabilidade de problemas”

“Pouco ou nenhum preparo na formação acadêmica para esta área”

“Falta de profissionais capacitados”

“Falta de conhecimento da gestão sobre investimentos em TI”

“Dados sigilosos, sistema crítico e relacionamento médico”

“Preconceito com mulheres na TI, pouca credibilidade”

 

As respostas representam com clareza os desafios que o profissional de computação encontram ao trabalhar na medicina. Parte das soluções está em conscientizar todos os envolvidos nos processos de saúde de como a informática pode melhorar as atividades da equipe, aumentar eficiência e produtividade. Desse modo, espera-se que a gestão das instituições entendam o setor de TI como um investimento e não como um custo.

 

Oportunidades

 

Por mais que exista uma série de desafios, as oportunidades que o diagnóstico por imagem traz aos profissionais de computação são ainda maiores. Os recentes avanços em Machine Learning tiveram melhores resultados na análise de imagens, em tarefas de reconhecimento de padrões, semelhantes às dos médicos radiologistas.

 

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Há vários frameworks e cursos disponíveis para quem pretende iniciar estudos em Inteligência Artificial, como a plataforma DIGITS da Nvidia, empresa desenvolvedora das placas gráficas (GPUs) as quais são umas das peças fundamentais para os avanços na área de IA. Na DIGITS não é necessário conhecimento em programação para treinar as primeiras redes neurais. Ademais, para usuários mais avançados existe outras bibliotecas como TensorFlow (plataforma de IA da Google) e Keras (todas gratuitas). Além de imagens (visão computacional), é possível trabalhar com o processamento de linguagem natural, área voltada à análise de texto e voz, sendo usada para explorar o vasto conteúdo não estruturado presente em laudos e também em sistemas de reconhecimento de voz mais robustos e otimizados para nosso idioma.

 

A Realidade Virtual e Aumentada são outras tecnologias que estão em expansão em todas as áreas de ciência e possuem aplicação direta na saúde. Este tipo de tecnologia irá revolucionar o aprendizado e educação, através de interfaces mais ricas e intuitivas, apresentando contribuição no estudo de anatomia para alunos em formação, na visualização exames 3D durante o planejamento de uma cirurgia ou em consultas com pacientes.

 

 

Journal of Digital Imaging um dos mais importantes da área fez um resumo dos tópicos de computação que podem ser aplicados em imagens médicas:

·     PACS e componentes do sistema;

·     Integração de tecnologias móveis;

·     Visualização, modelagem e impressão de imagens 3D;

·     Vocabulários de imagens médicas e ontologias;

·     Visualização e análise de dados (BI);

·     Laudo estruturado;

·     Reconhecimento de voz;

·     Redes e segurança dos dados;

·     Tecnologias Web, entre outros.

 

Além do trabalho efetivo nos cuidados a saúde das pessoas, os profissionais da computação que atuam na radiologia têm uma série de tecnologias de ponta que podem ser aplicadas na resolução de problemas e inovação.

 

O que podemos fazer para melhorar nossa área?

 

A melhoria dos fluxos relacionados a aplicação de TI para imagens médicas passa por dois fatores principais: conhecimento e divulgação. Com a informação acessível, mais profissionais da computação saberão como aplicar seus conhecimentos na a área da saúde e, consequentemente, ocorrerá uma aproximação entre essas duas áreas de conhecimento.

 

Como comentado na pesquisa, o conhecimento passa pelo desenvolvimento de cursos sobre a administração de PACS e softwares de visualização de imagens, console de equipamentos, além de eventos e portais que centralizem informação e conteúdo relevantes.

 

Como nossos desafios estão a efetivação das melhorias citadas, incentivando a aplicação de tecnologia e inovação para diagnósticos mais rápidos e precisos, sempre mantendo o foco no paciente.

 

*José Eduardo Venson é da equipe de Pesquisa e Desenvolvimento da Animati e recentemente participou de um dos encontros do GET (Grupo de Estudos em Informática na Radiologia), apresentando a visão do profissional de TI acerca da radiologia.